Três fontes publicadas descrevem no que se torna uma tonelada de castanha em bruto. São mutuamente incompatíveis, e este capítulo di-lo em vez de apresentar um balanço arrumado que esconderia o desacordo.
O balanço não fecha
| Leitura | Casca | CNSL | Amêndoa | Película | Rejeitados | Perda |
|---|---|---|---|---|---|---|
| A | 50 % | 20–25 %, dentro dos 50 % de casca | 25–30 % incluindo película | (na amêndoa) | — | — |
| B | ~70 % | não indicado | ~20 % (derivado por subtração) | ~3 % | ~3 % | ~4 % |
| C | — | — | 22–24 % de amêndoa vendável embalada | — | — | — |
A leitura A dá 25–30 % de amêndoa. A leitura B deixa cerca de 20 %. O valor de produção usado neste guia é de 22–24 %. A fração de casca difere vinte pontos entre A e B, e nenhuma aritmética as reconcilia.
Parte da divergência é ponto de medição e não desacordo. Casca pesada no posto de descasque está húmida de condensado, CNSL gelificado e fragmentos de amêndoa aderentes. Casca pesada seca após uma semana num terreiro é outro número. Nenhuma fonte indica qual usou.
Construa portanto a partir do número em que confia, e classifique o resto:
| Fração | % da castanha recebida | Base | Ponto de medição |
|---|---|---|---|
| Amêndoa vendável embalada, todos os graus | 22–24 | KOR de produção | Pesagem na embalagem, após condicionamento final |
| Casca | 50–70 | Gama publicada, por resolver | Posto de descasque, húmida, com CNSL e fragmentos |
| Película | ~3 | Publicado | Ciclone da descascadora de película |
| Amêndoa rejeitada | ~3 | Publicado | Após revisão na seleção do descasque |
| Humidade e perdas de processo | saldo | Derivado por diferença | Não pesado diretamente em lado nenhum |
Pese os seus. A instrução da ComCashew é a certa e quase ninguém a segue: “É especialmente importante registar a perda de peso da amêndoa ao longo de todo o processo.” Quatro pontos de pesagem — entrada, amêndoa após descasque, amêndoa após película, amêndoa embalada — mais casca e película à saída, registados diariamente, dão-lhe um balanço para a sua própria castanha numa única época.
Alterne entre as três leituras. A fração de amêndoa quase não se move; a fração de casca move-se vinte pontos da castanha inteira.
| Fração | % da castanha | Ponto de medição |
|---|---|---|
| Amêndoa vendável embalada | 22–24 | Pesagem na embalagem, após condicionamento final |
| Casca | 50–70 | Posto de descasque — húmida, com CNSL e fragmentos |
| Película | 3 | Ciclone da descascadora de película |
| Amêndoa rejeitada | 3 | Após revisão na seleção do descasque |
| Residual / por resolver | 0–22 | Não pesado em lado nenhum — derivado por diferença |
Uma separação que tem de permanecer rígida
O KOR de controlo de qualidade é um ensaio de corte laboratorial usado para fixar o preço de um lote, em libras por saco de 80 kg. A ComCashew trabalha o exemplo: um rendimento de 49 lb por saco de 80 kg significa 49 lb — 22,2 kg — de amêndoa utilizável pelo processador a partir de 80 kg de castanha, ou seja cerca de 27,75 %.
O KOR de produção é o número de quilos de amêndoa vendável embalada por 100 kg de castanha efetivamente processada: 22–24 kg.
São duas medidas diferentes e uma nunca deve ser comparada à outra. Os compradores pagam pela primeira. O seu banco é reembolsado pela segunda.
Onde o rendimento se perde, posto a posto
| Posto | Mecanismo | Valor publicado | Massa ou grau? |
|---|---|---|---|
| Armazenagem | Queda do KOR ao longo do tempo | Não existe curva publicada | Ambos, não quantificado |
| Descasque | Partidos; castanhas não cortadas; fragmentos deixados na casca | Quebra abaixo de 3 %, 3–5 % reivindicados; não cortadas abaixo de 5 % | Sobretudo grau |
| Secagem | Remoção de humidade; tostagem | Até 3–4 % de humidade | Massa (água) e grau (cor) |
| Descasque da película | Quebra; remoção da película | 4–8 % de quebra; película ~3 % da castanha | Grau, mais massa real em película |
| Classificação | Quebra induzida pela máquina | “Problemas sistematicamente sentidos” | Grau |
| Embalagem | Ajuste final de humidade; rejeitados de controlo e detetor | Até 3–5 % | Massa (água) |
A maior parte do que uma fábrica de caju perde é grau, não massa. Uma amêndoa partida continua no saco, valendo cerca de 16 % menos. Uma amêndoa tostada continua no saco, noutra linha de preço.
É por isso que fábricas com KOR idênticos podem apresentar resultados muito diferentes, e por que a repartição inteiras/partidos e brancas/tostadas pertence ao relatório diário ao lado da tonelagem. Um relatório centrado apenas na tonelagem mostrará um bom mês durante o qual perdeu dinheiro.
O lado da energia, e o excedente que ninguém vende
A casca é o subproduto fiável. As fábricas consomem tipicamente apenas 5 a 25 % da casca que produzem para as suas necessidades térmicas — um excedente de quatro a vinte vezes — com um poder calorífico de cerca de 5 000 kcal/kg (perto de 20,9 MJ/kg), rondando as briquetes 4 800 kcal/kg.
Queime o que a caldeira precisa e venda o resto. Uma fábrica que trata a casca como simples resíduo a remover está a pagar para eliminar um combustível que poderia vender — e o custo de eliminação aparece nas contas enquanto a receita perdida não aparece.
Meça a energia por tonelada processada como indicador permanente. Sem isso, o rendimento da caldeira é invisível, e uma caldeira a degradar-se discretamente parece exatamente uma subida do preço da matéria-prima nas contas mensais.