Os contratos de máquinas são onde um processador em início de atividade cede mais, normalmente por aceitar o primeiro plano de pagamentos que lhe mostram.

Condições de pagamento: a gama realmente observada

Três estruturas surgem na literatura do setor, todas apresentadas como factos:

EstruturaContextoAno
Pagamento integral antes da entregaApontado como problema sistémico dos importadores africanos de equipamento de caju2019
40 % de entrada, restante na entregaFicha de avaliação de equipamento, fornecedor vietnamita de caldeiras2011
70 % de entrada, restante na entregaFicha de avaliação de fornecedor2015

Mostrar a um comprador apenas a primeira linha é dizer-lhe que desista. Mostrar as três é dizer-lhe a verdade: isto negoceia-se. Duas das três estruturas observadas deixam valores em aberto até à entrega, e nenhuma é aquela com que um fornecedor abre.

Repare também no enquadramento da primeira linha. A ComCashew classifica «os fornecedores exigem pagamento integral antes da entrega» como um problema — algo que o programa de desenvolvimento do próprio setor considera a resolver, não uma norma a aceitar. Devolva-lhes o argumento.

Estruturar o pagamento por marcos

Não existe qualquer plano de pagamentos publicado para esta indústria além destes três pontos. O que se segue é juízo de engenharia, apresentado porque a alternativa é aceitar o que lhe entregam.

TrancheDesencadeadorParcela indicativa
AdiantamentoAssinatura, contra garantia bancária de restituição de igual valor20–30 %
FabricoNotificação de prontidão, após inspeção pré-embarque na fábrica contra a especificação30–40 %
EmbarqueApresentação de documentos de embarque limpos20–30 %
RetençãoEnsaio de aceitação bem-sucedido, com a sua castanha10–15 %

A retenção é o essencial. É a única resposta que resta ao aviso de que, feito o pagamento, «será difícil contestar as alegações do fabricante sobre o desempenho do equipamento». Dez por cento retidos durante sessenta dias após o arranque mudam o que acontece quando uma máquina fica aquém — e não custam nada ao fornecedor se ela cumprir.

Quando um fornecedor não aceita retenção, o substituto é uma garantia bancária de boa execução de igual valor, válida até à aceitação. Quando nenhuma é possível, precifique o risco ou desista.

Mais duas cláusulas pertencem à mesma conversa. Fixe a moeda e diga expressamente quem suporta a variação cambial entre a encomenda e o pagamento final — num ciclo de entrega de nove meses a exposição não é pequena. E acorde a lei aplicável e o foro arbitral antes da assinatura, não depois de um litígio.

Incoterms, e o que o FOB lhe deixa

As máquinas da Ásia são cotadas habitualmente FOB num porto designado. Nos Incoterms 2020, FOB significa que a função do vendedor termina com a mercadoria a bordo. A partir desse momento, frete marítimo, seguro, descarga, desalfandegamento, direitos, sobrestadias, transporte interno e movimentação são seus.

TermoFim do custo e risco do vendedorO que lhe resta organizar
EXWNas instalações do fornecedorDesalfandegamento de exportação na origem, e tudo o resto
FCANa entrega ao seu transportador no local acordadoFrete, seguro, importação, interno
FOBA bordo do navio no porto designadoFrete, seguro, importação, interno
CFR / CIFA bordo, mas o vendedor paga o frete (e em CIF um seguro mínimo)Desalfandegamento, direitos, interno — o risco passa na mesma a bordo
DAP / DDPNo seu destino designadoEm DAP, desalfandegamento e direitos; em DDP, em princípio nada

Um ponto técnico apanha os compradores de máquinas. O FOB foi escrito para carga içada sobre a amurada, mas a maioria das máquinas viaja em contentor entregue no terminal dias antes do embarque. Em contentorizado, o FCA corresponde ao que realmente acontece e desloca a transferência de risco para um ponto testemunhável.

Se um fornecedor insistir em FOB para um contentor, suporta risco durante um período em que não tem nem controlo da mercadoria nem ninguém no terminal.

Transporte, seguro e o percurso interno

As máquinas de caju são pesadas, volumosas e sobretudo em aço. Fornos, cozedores rotativos e caldeiras são o que sai das dimensões padrão para flat racks ou carga convencional — e são os mesmos que criam os problemas internos: limites de pontes, larguras de portões, raios de viragem e carga admissível no piso.

Percorra o trajeto antes de a expedição partir, não depois de chegar.

O seguro é uma cláusula contratual, não uma reflexão tardia. Em FOB ou FCA cabe-lhe contratá-lo, e a cobertura que quer vai de armazém a armazém e não de porto a porto, porque as falhas de cobertura estão nas duas pontas.

Uma armadilha a nomear: uma apólice stock throughput como a que um processador subscreve para matéria-prima e amêndoa não cobre máquinas de projeto em trânsito. Isso exige uma apólice de carga marítima, e a fase de montagem exige cobertura própria.

A fechar antes da assinatura

  • Tranches de pagamento e respetivos desencadeadores, com retenção ou garantia de boa execução
  • O ensaio de aceitação — o que se mede, com a castanha de quem, a que limiar
  • A moeda, e quem suporta a variação entre encomenda e pagamento final
  • O Incoterm, escolhido em função de como a mercadoria realmente se move
  • O seguro de trânsito, de armazém a armazém, e quem o coloca
  • A lista de peças e consumíveis, com preços mantidos por um prazo definido
  • Lei aplicável e foro arbitral
  • Obrigações de documentação e formação, por escrito

Cada um destes pontos é barato de acordar antes da assinatura e caro de levantar depois.